sexta-feira, 29 de março de 2013

Após crise psicótica, Mike do Mosqueiro morre atropelado.

Segundo informações de moradores do próprio balneário, o músico Maike Pereira da Silva, conhecido como Mike do Mosqueiro faleceu, após ser atropelado por uma kombi, na madrugada desta sexta-feira.
Na verdade, esse nem era seu nome. Ao que tudo indica, nem documentos ele tinha e este nome foi usado pela produção do programa Domingão do Faustão, para que pudesse participar como convidado, ao lado de Viviane Batidão.
O paraense ganhou repercussão ao apresentar-se, de modo irreverente, em alguns pontos da ilha de Mosqueiro e Belém, inclusive em frente a escolas para ganhar uns trocos de sua subsistência. É claro, com suas aparições na TV e no DVD da cantora +Gaby Amarantos, ganhou o carinho do povo paraense.
Há algum tempo, houveram boatos de sua morte, principalmente após serem divulgadas imagens dele bêbado e desabrigado, além de outras notícias sobre fatos de quando estava alterado, delirando e ameaçando outras pessoas. Desta vez, entre surtos de agressividade e tentativas de suicídio, ele estaria novamente em crise (devido ao álcool ou drogas) e teria se jogado em frente ao veículo, vindo a morrer no local.
Os distúrbios foram confirmados por Luciano Santos, coordenador da Clínica Força do Querer. “Nossos psicólogos atestaram confusão mental e paranoia, provavelmente em decorrência do abuso de substâncias químicas”, afirmou. Por não ter família, o tratamento era bancado pela própria instituição, porém Mike costumava fugir, além do mais, nenhum interno era mantido contra vontade.


Relembre as principais aparições do querido Mike na TV.

Após assistir, na semana passada, na UFPA, ao lançamento do GT de “Drogas, Cidadania e Direitos Humanos”, ligado ao Conselho Regional de Psicologia (CRP) 10ª Região, é difícil não ficar estarrecido com a calamitosa situação na qual se encontra grande parte dos usuários de substâncias psicoativas, sobretudo moradores de rua.
Embora, exista uma forte mobilização social de combate às “drogas”, o foco continua sendo a repressão e não necessariamente o tratamento de usuários – doentes, vítimas sociais e (por que não?) vítimas das próprias aflições – e a prevenção, por meio de políticas públicas de qualidade, que visem assistência psicossocial e educação. Grandes desafios ainda tangem os profissionais da saúde, porém, pergunto: Todos já perceberam essa importância? Estão envolvidos e, principalmente, preparados para combater, acima de tudo, o preconceito, a patologização e a “demonização” de pessoas?
Ao que tudo indica, o pobre Mike, por enquanto, será apenas um dado estatístico e, para alguns, uma vaga e alegre lembrança. Meus sinceros pesares (a quem os queira) e que sua alma seja acolhida em um bom lugar e descanse!

Um comentário:

Antonio Anderson disse...

A Agência Distrital de Mosqueiro se responsabilizou pelo velório e enterro. O corpo foi liberado no final da manhã de hoje (29), e será sepultado no cemitério São José, no bairro de Maracajá, às 17h. (Portal ORM)