sábado, 23 de junho de 2012

Ocupação indígena no canteiro de Belo Monte continua.

Cerca de 150 índios das etnias Juruna, Xirkin e Arara continuam ocupando o canteiro de obras da usina hidrelétrica de Belo Monte no rio Xingu, no sudoeste do Pará. Os manifestantes ocupam a ensecadeira, uma espécie de barragem de terra, localizada no sítio Pimental, distante aproximadamente 50km do local de construção da usina. A ocupação ocorre desde a última quinta-feira.
Sem previsão para deixar o local, eles pedem que a Norte Energia, empresa responsável pela administração da obra, cumpra as condições impostas pelo Ministério Público Federal para a realização a construção da UHE, como a demarcação e regularização das terras dos índios, a construção de estradas para as aldeias e a distribuição de suprimentos, além, é claro, do cumprimento das condicionantes, sobretudo para diminuição dos impactos ambientais, considerados catastróficos e irreversíveis.
O Consórcio Construtor de Belo Monte (CCBM) informou que o protesto ocorre de forma tranquila, mas que, por medidas de segurança, todas as atividades do sítio Pimental foram suspensas durante este final de semana.
Através da assessoria de imprensa, a NE explicou que até o final da manhã de hoje um grupo de representantes da empresa se dirigirá até o local de ocupação para receber dos indígenas as suas reivindicações formalmente, coisa que ainda não havia acontecido. Agora à noite, a Justiça negou o pedido de desocupação da área, como a NE havia pedido.
Esta não é a primeira vez que comunidades indígenas ocupam os canteiros. No último dia 15, com apoio de movimentos sociais, estudantes e populares, os manifestantes invadiram outra ensecadeira e, utilizando picaretas, abriram sulcos para que o rio pudesse correr através da barragem de terra.
No sábado (16), os índios chegaram a invadir um dos escritórios do consórcio construtor. Durante esta ocupação, eles destruiram computadores, mobília e documentos. O caso foi registrado na polícia e está sendo apurado pela delegacia de Altamira.
A Usina Hidrelétrica de Belo Monte está sendo construída no rio Xingu, em Altamira, no sudoeste do Pará, com um custo previsto de R$ 19 bilhões. O projeto tem grande oposição de ambientalistas, que consideram que os impactos para o meio ambiente e para as comunidades tradicionais da região, como indígenas e ribeirinhos, serão irreversíveis. A obra também enfrenta críticas do Ministério Público Federal do Pará, que alega que as compensações ofertadas para as vítimas os afetados pela obra não estão sendo feitas de forma devida, o que pode gerar um problema social de grandes proporções na região.

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