sábado, 2 de março de 2013

Sou Desses.


Sou desses que ainda escreve cartas,
Ainda que eu nem sempre tenha coragem de mandar
Ou, pelo menos, guardar em arquivos.

Sou desses que ainda pede músicas na rádio
Faz questão de dedicar para alguém
Embora eu nem lembre sempre de gravar numa fita.

Sou desses que ouve músicas com os olhos fechados
E, por vezes, chora com vagas lembranças,
No entanto, ainda peco pelo medo do pranto exposto.

Já fui daqueles de me calar para não gerar conflitos
Mas, hoje sou dos que analisa o melhor a dizer
E sou desses que tenta agradar, mas se agrada também.

Sou, ainda, desses que lembra datas, compra presentes
E liga para dar boa noite ou perguntar como está
Só que também me esqueço de dar recados ou anotar detalhes.

Sou desses que ainda compra discos originais e se tranca para ouvir,
Que só compra roupas em caso de necessidades
E, vez ou outra, faz questão de andar descalço o máximo possível.

Ainda sou desses de caminhar longas distâncias
Contemplar a paisagem, reparar no céu e na lua e ouvir o canto da chuva
Despreocupado com o tempo e com as línguas tagarelas.

Tenho preguiça de fazer a barba,
Disposição para visitar algumas livrarias
E coragem, para chamar outros para uma merenda.

Sou desses que convida para assistir filmes e cheira livros,
Que come besteira de vez em quando, vai da cerveja ao uísque
E é mal interpretado, às vezes, por alguns convites.

Também sou desses de esperar ligações,
De se empolgar com palavras simples
E até de despir-se das vergonhas para quem despe minh’alma.

Sou desses que diz o que sente e pensa,
Que demonstra certas fragilidades
E nem sempre se prepara para arcar com as consequências disto.

Pelo visto, não sou desses que liga para rimas
Ou, tampouco, com métricas e beleza nos versos
Mas, sou desses que sabe a importância do dizer, uma multidão em um.

A. Anderson

2 comentários:

Breno Lima disse...

Adorei o que você quis transmitir no texto, adorei a forma que você faz as coisa, me encontrei! Sem falar que ainda sou daqueles que escreve a mão, sinto as palavras mais minhas :) parabéns, sem falar que ainda existem bons escritores aqui por Belém, ao menos isso Belém ainda tem um pouco pra prestar.

Ariadne Trindade disse...

Sou quase desses, ou dessas no meu caso, tirando o ter que fazer a barba, e a parte da cerveja ao uísque. Sou parecida. Bonito texto.