sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Meu relicário.

Hoje eu encontrei antigos objetos, olhei para cada um com carinho e somei a tanto mais que estava estocado. Uma bagunça na cama, uns livros empoeirados e uns discos antigos, mas comprados há pouco com um cartão de crédito já endividado.
Inevitável que algumas lembranças, como sombras, pairassem para modificar a paisagem, mas sem interferir no caminho dos passantes. São aqueles tempos que trouxeram sorrisos, sonoridades e sensações febris que teimam em sobreviver, hoje, em tempos de novos ares e outros sorrisos, nem sempre tão reais.
Com maestria, árduos prazeres surgiram, mas em nada apagaram o que ainda compreende um todo. Foram aqueles abraços, aquele cheiro de comida industrial, as palavras ainda trêmulas, as roupas espalhadas pelo chão e o vibrar de um recinto ao som de Sinatra... Tudo aquilo que sabe quem sou e traz velhas palpitações, atreladas a uma voz que balbucia as palavras de sempre, em novas frases.
Lembrei-me do primeiro encontro, do primeiro gole, da primeira noite. Um espaço ainda se reserva. Próximo de um misto de sentimentos, hoje, só tenho me atentado ao tanto que um desejo ainda inunda passos vãos, a algo que despe o oculto de meus sentimentos e faz dormir a sentinela que me rege.
Sobre a areia do deserto, um líquido reescreve ainda novas linhas, desenha a imagem de um intrínseco feito, que deu origem àqueles sentimentos rústicos, os quais levaram a lógica à beira da loucura. A cada ponto cardeal descoberto fica um ponto de interrogação em meio às exclamações, aos gritos de dor e realismo sádico. Em cada um dos meus refúgios, vem um toque intenso de uma delicada mão, associado a um suspiro. Onde não há resquícios de sol, sobrará um toque, um beijo, algo para acalentar, algo para lubrificar, algo que vai atrair e atritar.
Ontem, eu pedi uma música na rádio, escrevi uma carta para o próximo dia dos namorados, escrevi um poema e desenhei teu nome no vidro embaçado. Vi que era pouco. Pensei. Busquei teu contato, mas não precisei ligar.
O único certo é que ainda há o que pertença ao teu caminho. Amanhã ainda é longe. Boa noite!

Um comentário:

Breno Lima disse...

Adorei o texto, adorei o bom ar que o texto me deu, ele me descreveu e me inspirou. Faço minha as suas palavras.