Certas horas, parece ser duro olhar para frente e parecer
tudo tão distante. A todo instante, te pressionam a olhar para trás e ver que
tudo poderia ter sido mais forte, menos difícil e até melhor aproveitado.
Quando você pensa que já é mais forte do que poderia ser, a
vida te puxa pelos pés, te dá um peteleco na orelha e cospe na tua cara e ainda
ri da tua cara de susto. E, ao pensar que é demais para aguentar, o próprio
orgulho busca um pouco mais.
Em todo momento que pensei que era responsável pelo meu
próprio destino, percebi que há forças que não me atrapalham, tampouco me
ajudam, porém servem para moldar meus objetivos, instituir minha audácia e até
instigar meus momentos de loucura.
Vi o sol nascer, encontrei motivos para gargalhar enquanto
refletia, mas também vivi a cólera dos meus dias e, bestializado, vi o mundo ao redor perder sentido. E tudo por causa da insistência, da minha cabeça dura e,
sobretudo, de sentimentos que só eu conheço e só eu mesmo soube alimentar.
Já dizia
Guimarães Rosa: “O importante e bonito do mundo é isso: que as pessoas
não estão sempre iguais, ainda não foram terminadas, mas que elas vão sempre
mudando. Afinam e desafinam”.
Enquanto
canções me compreendem ou me esbofeteiam, enquanto meus livros se entregam ao
mofo e a TV fala sozinha, só vou criando coragem para me reconciliar com tudo
que já passou e me preparo para desafios novos, esperanças novas. Percebo que o
mundo me cobra um pouco mais, que eu posso mais. Tudo está mudando, nem sempre
sinto o mesmo, mas eu encontrei um mundo no qual me fechei e deixei de fazer
parte disso. Ao fim de tudo, só sei que preciso voltar ao jogo para conhecer as
regras, para desobedecê-las ao criar as minhas.
Diferentemente
da canção de hoje, ainda posso lembrar meu nome. É ele que me vale, pelo menos
por enquanto!
Nenhum comentário:
Postar um comentário